quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

CARTA AOS MEUS AMIGOS

E é sobre fatos que venho aqui agora com o intuito de mandar um sinal de fumaça para todos aqueles que, de uma forma ou de outra, mantém algum tipo de vínculo comigo. Não sou e nunca fui um cara fácil de lidar e nessa época onde todo mundo é obrigado a ficar feliz fica ainda pior. Tenho tantos problemas que às vezes eu mesmo não me aguento. Escolho os meus amigos não pela cor da pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Cérebro na cor dos olhos. Cérebro na ponta da língua. Cérebro nos dedos. Cérebro de cão. E meus poucos amigos são deuses em corpos de cães.
>>> clique aqui e confira a crônica na integra.
fonte: LC, 25/12/09

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ENTREVISTA COM A ESCRITORA TAMMY LUCIANO

Entrevista exclusiva que eu fiz com a atriz carioca, jornalista e escritora Tammy Luciano. Ela foi colunista do JB online e do site Baguete Diário. É autora dos livros “Fernanda Vogel na Passarela da Vida” e “Novela de Poemas” e recentemente lançou “Sou Toda Errada”.
fonte: LC

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

CD POEMAS DE MIL COMPASSOS

CD Poemas de Mil Compassos Vol. 01 (álbum/2009). Neste ano de 2009 o livro “Poemas de Mil Compassos” com organização de Elenilson Nascimento foi publicado, com participação de 51 poetas de todas as partes, inclusive de Portugal. Agora, de repente, não mais que de repente, surge o CD “Poemas De Mil Compassos Vol. 01” com alguns desses poemas e um monte de bônus tracks. E como disse o Waldick Garrett no livro: “Escritores são artistas e artistas não entram em extinção!”. Confira abaixo o tracklist:
1. PERNA - Érika Machado
2. ALGUMA POESIA – Artur Gomes
3. URGÊNCIA - Maurício Zerk
4. INQUIETAÇÃO - Gaspar Silva
5. MELANCOLIA - Sueli Aduan
6. GATAMIA - Leandra Lil
7. BALADAS & SUSPIROS NO CARCÉRE DE INSIGHTS - Elenilson Nascimento
8. SE HÁ PAZ, SEI QUE O FAZ - Daniel Matos
9. ENTRE A VIDA E A MORTE - Eliane Silvestre
10. VOOS DA ALMA - Andréia de Oliveira
11. MEU DELEITE DERRAMADO - Ricardo Vieira
12. DE ONDE VEM A POESIA? - Brunno Andrade
13. COMENDO PEDRA - Márcio Mello
Bônus Tracks:
14. ESCREVA SUA HISTÓRIA - Toni Garrido
15. AUTO-INTERPRETAÇÃO - Elenilson Nascimento
16. DIÁLOGO ONÍSSORO - Cabeza Marginal
17. ME DIGA, FRANCISCA - Marina Lima
18. SECADOR, MAÇÃ E LENTE - Érika Machado
19. NOBRE VAGABUNDO - Márcio Mello
20. CAPITU - Zélia Ducan
21. FILTRO SOLAR - Pedro Bial
22. SAMBA DE VERÃO/GAROTA DE IPANEMA - Marcos Baô
23. SONETO DO AMOR TOTAL/SAMBA EM PRELÚDIO - Vinícius de Moraes c/ part. Quarteto em Cy

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artwork: Elenilson Nascimento/Ewerton Thiago/Hugo Rafael Soares
fonte: Poemas de Mil Compassos

sábado, 5 de dezembro de 2009

FLUINDO SABORES, AMORES, APTIDÕES, AÇÕES E REAÇÕES

“O mundo é virtual. Integralmente vivo, uma imensa reserva de virtualidades onde nutrimos temores e projetos, imaginamos e desejamos...”Por João Carlos Freitas*
Neste contexto social em que presenciamos atrocidades corriqueiras, o que caracteriza nossa cultura de fato? Seria a Arte ou a Imbecilidade? Realmente é subjetivo crer no poder da inocência brasileira somada a sua trágica complexidade. Não é completamente exato, mas de fato, “ser” sem ao menos “entender” nossa paradoxal irreverência é no mínimo cruel. No entanto, somos espectadores de cenas de horror voltada a “comédia-romântica” temperada com um vasto suspense de arrancar os cabelos, já que notícias e mais notícias são despejadas sobre nossas refeições todos os dias.
O importante é não perder a consciência, apesar dos “acasos” e “descasos” de uma terra inglória. O légitmo e considerável é filtrar os inocentes mesquinhos dessa miserável condição. Como?
Talvez com o método psicodinâmico que nossa sociedade nos envolve, ou quem sabe com a emblemática filiação político-partidária de nossos caríssimos parlamentares ocupados.
Tudo bem… somos fúteis “filhos da mídia”.
Já que qualquer representatividade de arte genuinamente brasileira (esqueçam a “arte” de Delúbio e Genoino!) encontra-se em estado de decomposição, pois seus principais colaboradores, por falta de incentivo financeiro, são impactados pelos obstáculos pujantes da contemporaneidade. E, por vezes, é (in)justamente essa atual pseudo-estética sociológica e filosófica a grande mantenedora de cartas marcadas, fazendo com que grandes pensadores mantenham-se no anonimato, privando a “pura” pátria de desfrutar novas e variadas letras.
Contudo, com o livro “Poemas de Mil Compassos” (Clube de Autores), organizado por Elenilson Nascimento, esperamos e acreditamos, ainda, no conhecimento despertador da consciência individual para com a realidade iminente, fluindo sabores, amores, aptidões, ações e reações.*João Carlos Freitas é um excelente poeta de Brasília-DF, também participou da antologia “Poemas de Mil Compassos” da Coleção Literatura Clandestina/2009 e escreve também no blog Vulto.
Aproveite e leia também a entrevista que o João Carlos fez com a também poeta Andréa C Migliacci
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AQUI também o CD “Poemas de Mil Compassos Vol. 1”, com vários poemas recitados pelos artistas e muitos bônus tracks.
fotos: divulgação

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

MEMÓRIAS DE UM HEREGE COMPULSIVO – Part 1

“E nessa perspectiva, vilões surgem na deterioração dos valores, como representantes natos da amoralidade dessa era...”Por Andréia de Oliveira*
“Finalmente mais uma guerra cheia de mentiras acabou...”, são essas as palavras iniciais da apresentação desse livro de capa impactante, cujo nome pode soar como uma blasfêmia aos ouvidos dos mais puritanos. Não sem razão, Elenilson Nascimento, seu autor, expõe inicialmente um destemido e consciente discurso sobre os principais problemas da atualidade, enfatizando as dificuldades de se escrever em um país onde a educação cada vez mais entregue a interesses políticos reproduz crescentemente legiões e mais legiões de seguidores de uma cultura pasteurizada e superficial. Assim, nessa sua proposta de elucidação das verdades não ditas, o escritor remonta-se ao axioma nietzscheziano do aniquilamento das crenças divinas para reportar-se a inoperância de Deus face às barbaridades do mundo.
Dessa maneira, a despeito do título, que de imediato pode está associado a uma coletânea de obscenidades emitidas por um ateu convicto, o autor baiano expõe, ainda na Apresentação da obra, um intrigante diálogo com Deus, a quem lhe atribuiu, a missão de desvelar as faces ocultas da raça humana, por meio do que denomina ser a escrita de “verve maldita”.
Assim, como a belíssima ilustração da capa do livro, Elenilson mantém-se como uma espécie de anjo caído, de olhos vendados para os Jardins do Éden, recriando a beleza perdida por meio do lirismo de suas palavras, distancia-se do mito da perfeição divina, aproximando-se, com isso, cada vez mais do universo dos homens. E são muitas as alusões aos atos de um Deus “impiedoso” e “cruel”, tão qual é retratado nas construções do Antigo Testamento, no cerne da constatação de que os homens foram jogados no mundo entregues a sua própria sorte e estão suscetíveis a toda espécie de vilania e discriminação.
MATRIX – Talvez seja um pouco lunático, mas extremante plausível, estabelecer um elo de ligação entre esse jovem escritor com o herói cibernético Neo, do filme “Matrix”, visualizando-o como uma aberração ou vírus que assola o programa mestre que gerencia nossa realidade e nos conduz aos ditames do senso comum. Como um recém liberto das amarras da caverna nossa de interesses e alienação cotidiano, que tem acesso instantâneo ao universo das verdades ocultas e ainda um pouco tonto com tanta informação, Elenilson passa, dessa forma, sua mensagem de forma bombástica e incendiária.
Muito além do fiel retrato da realidade doentia que cerca os domínios de nossas visões de mundo, propõe-se a libertação de todos os prisioneiros que se encontram acorrentados à escuridão das cavernas, dos templos, dos edifícios, dos lares e da própria sorte. E esse subliminar conclame de emancipação da mente humana ocorre de maneira sutil, irônica e inteligente através de uma linguagem metafórica, subjetiva, através do qual aborda uma temática que pode beirar o absurdo realista para os desatentos, ou simplesmente o realismo sensato para uns poucos que corroboram com a interpretação caótica do mundo.
Interpõe-se, em sua narrativa, alusões aos problemas sociais, a crise educacional, a pedofilia, a corrupção, as traições, as infidelidades amorosas e de outros elementos oculto sob a moral de conveniência dos tempos presentes. E nessa perspectiva, vilões surgem na deterioração dos valores, como representantes natos da amoralidade dessa era, como no caso do pedófilo do conto “O aliciador de Melissas”, representante nato da amoralidade dessa era, enquanto os mocinhos umedecem as nossas vistas secas, sinalizando com esperança a possibilidade de vitória dos excluídos, a exemplo do personagem do conto “O vendedor de picolé que amava Capitu”.Ressoam-se, dessa maneira, os ecos da voz desse “herege compulsivo”, a quem não cabe a denominação do sentido literal da palavra, mas com toda certeza uma abstração alegórica inserida na percepção dos que descortinaram os véus da realidade e permanece assim junto a ela como um observador atento. E, por essas razões, as palavras de Elenilson Nascimento expressam-se aos leitores, como uma espécie de monólogo interativo, onde personagens angustiados e esquizofrênicos ganham vida, subsistindo em universos isolados, não como uma estratégia de fuga, mas sim como um recurso de sobrevivência em mundo caótico por natureza.
Por mais contraditório que possa parecer essa mesma realidade padronizada, por mero decreto, cria e abriga toda uma diversidade de anomalias e deserções que nada mais reflete do que o espelho imperfeito de uma sociedade doentia e disforme. Dentro dessa visão, surge a figura do Sir. João Grandão do conto introdutório do livro, “Todo mundo amplia a paranóia que cria”, um comentarista famoso de televisão que profere seu discurso sensacionalista carregado de colocações antiéticas bem aos moldes da típica programação midiática líder de audiência.
Esse personagem, em especial, que vive em um universo de excentricidades, egocentrismos e pretensões de toda sorte, construído engenhosamente por sua personalidade metódica e neurótica para ocultar as frustrações de uma carreira artística mal sucedida, possui ainda devaneios alucinógenos, autodenominando-se como crítico de arte. Contudo, como tudo nesse homem é verdadeiramente falso e efêmero, Sir. João Grandão, ex-adepto da teoria revolucionária de Stiglitz de combate à globalização dos mercados e admirador da irreverência de Tom Zé, assisti a sua própria degradação às voltas com críticas moralistas por conta de mais uma de suas declarações bombásticas e o ressurgimento de um câncer.
Se esse homem é apenas mais uma aberração atípica desse mundo, obra do acaso ou do destino previamente traçado, não se sabe. Essa é uma reflexão que pode surgir após a leitura desse conto. Em seu estilo provocativo, carregando de abstrações metafóricas e analogias, Elenilson intervém na narrativa com algumas considerações interessantes acerca da caracterização do personagem, bastantes elucidativas. De qualquer forma, não é difícil encontrar tipos semelhantes ao Sir. João Grandão por aí, produzidos e ejetados pela paranoia do sistema social em que vivemos. É assim, como o mundo padronizado carrega consigo o dom nato da auto contradição, eis que surge um outro personagem, desses lunáticos e enigmáticos, no conto “O homem que se espremia no traje da cor do mundo”.
Miranda, um típico homem, desses fabricado pela futilidade da pós- modernidade, depara-se com a realidade do mundo ante a imagem da cruz estigmatizada do sofrimento de Cristo. Um entre tantos outros que espera pela vinda do filho de Deus como um bálsamo para as dores do mundo, encontra-se só e desprotegido, reagindo a tamanho desamparo com o cinismo, desinteresse e inércia, ante a realidade que o rodeia. Ou seria esse mesmo homem, o Miranda, uma criatura sensível demais para pertencer ao universo das misérias cotidianas que encontrou à perfeição dos reinos dos céus, sozinho e isolado, se refugiando na música harmoniosa de um piano? Essas e outras questões podem ser despertadas, a partir da leitura dessa narrativa, onde se questiona a possibilidade de sobrevivência dos chamados idealistas na sociedade presente. Não sem propósito seria, também, a discussão sobre o possível retorno do Cristo, verdade alimentada pela crença religiosa, nesse mundo de violência, injustiça e superficialidade.
São essas temáticas conflituosas, angustiantes e polêmicas que são abordadas nos dois contos iniciais do livro que parecem surgir como uma contraparte à proliferação dos títulos de auto-ajuda em sua tentativa de criação estilizada do sonho americano da eterna felicidade. Seguindo a linha dos bons ficcionista em suas abordagens psicológicas e sociais, o autor mistura fantasia e realidade, reproduzindo através de seus personagens e histórias, retratos em preto e branco das personalidades que brotam do estado inerente do caos humano. Toda essa caracterização atemporal da condição humana, acrescida dos dramas presente na depreciação dos valores da sociedade contemporânea estão presentes em “Memórias de um Herege Compulsivo”, num livro que reúne 30 contos do escritor baiano Elenilson Nascimento, publicado pela Editora Clube de Autores em setembro de 2009. (“MEMÓRIAS DE UM HEREGE COMPULSIVO”, de Elenilson Nascimento, 303 págs, Rio de Janeiro, 2009 – Clube dos Autores)

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*Andréia de Oliveira é poeta baiana, bacharel em Ciências Econômicas pela UFBa, com especialização em Metodologia e Didática do Ensino Superior e Novas Tecnologias, membro da Ordem Rosacruz, instituição e fraternidade filosófica e cultural. Tem trabalhos publicados na antologia “Poemas de Mil Compassos” da Coleção Literatura Clandestina, além de outras antologias. Escreve também no blog
Voos da Alma. Contato: andreiamelo7@hotmail.com
fonte: A. de Oliveira/Voos da Alma