Para intervir mais um pouco aqui no LC sobre essa onda de violência que arrasa não só o Rio de Janeiro, como a Bahia e todos os outros estados, mas que o s Poderes Públicos fecham os olhos e fingem que nada é tão inoportuno, como também é preciso dizer que o número médio de vítimas da violência, no entanto, não corresponde a uma distribuição igualitária na população ou no espaço das cidades: a maior parte das pessoas mortas é composta por homens jovens, negros, de baixa escolaridade, com profissão pouco qualificada, moradores de bairros de condições sócio econômicas mais precárias. Ou seja: uma parte da população que as autoridades simplesmente ignoraram.
As informações referentes à violência no Brasil, porém, encontram-se fragmentadas, são precárias em termos qualitativos e quantitativos, são produzidas com distintos critérios (*o que gera BOPE, digo, IBOP e/ou vende jornais são as coisas para serem comentadas) e geralmente são apresentadas agregadas para grandes assuntos comum à todos, ou seja, atualmente, a limpeza nos morros cariocas é o assunto principal para mostrar ao mundo que as autoridades no Brasil estão trabalhando unidas em prol da Copa do Mundo de 2014.
Porém, esse estado de coisas impede que se tenha uma compreensão mais clara do problema e que se use a informação para orientar intervenções mais adequadas para um fenômeno que se distribui, nas suas diversas expressões, de forma muito desigual e que anda exterminado boa parte da nossa juventude.
Na Bahia, um bom exemplo da falta de interesse do Estado com relação aos cidadãos foi o recente e lamentável caso dos nove policiais militares que participaram de uma ação de repressão ao tráfico de drogas no bairro pobre do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Nessa ação desastrosa por total falta de preparo dos policiais, o garoto Joel da Conceição Castro, de 10 anos, morreu atingido na cabeça por uma bala perdida.
Os policiais que integram a 40ª Companhia Independente foram acusados pela própria população de terem chegado ao bairro atirando e de serem os responsáveis pela morte do garoto. Contudo, os policias afirmam que "trocavam tiros com criminosos e que os disparos que atingiram a casa onde estava o estudante teriam partido de uma arma encontrada na frente de uma casa no bairro". As pistolas usadas por eles foram entregues à corporação e estão passando por perícia. E como sempre acontece: até que o inquérito sobre a morte do menino seja concluído, os policiais cumprirão atividades administrativas.
E, como numa novela mexicana que todos já sabemos o final, os nove policiais militares participantes da operação que resultou na morte do menino Joel simplesmente não compareceram ao depoimento que seria prestado na manhã desta segunda-feira, 29/11, na Delegacia do Nordeste de Amaralina, onde ocorreu a ação. A delegada responsável pelo caso avisou que não tem previsão de nova data para os tais depoimentos. Em um primeiro momento, os militares disseram que o menino foi baleado por traficantes da localidade. Ou seja: a mentira e o esquecimento vão ser usados mais uma vez pela (IN)Justiça baiana.
Em matéria no jornal “A Tarde”, 29/11, referente a esse caso, também expôs os meus comentários: “Pois é, talvez eles estejam resfriados. Tal situação vergonhosa tem nome e sobrenome: internacionalismo financeiro e, seu apanágio, a ideia de um "Estado mínimo", onde a retirada das responsabilidades e ações do Estado junto à sociedade é baseada num novo paradigma de gestão de Estado gerenciado pela gangue de políticos cada vez mais descomprometidos e totalmente desprovidos de preocupações sociais ou estratégias efetivas de gestão pública”.
Na verdade, o problema da violência exige uma abordagem que integre diferentes políticas públicas e níveis de governo. Há fortes evidências de que o crescimento econômico tem forte impacto sobre a violência e o crime, mas não é por acaso que os países mais pobres do mundo são também os mais sujeitos a guerras civis - 73% da população dos países que reúnem os 980 milhões de pessoas que se tornaram aprisionadas na pobreza esteve recentemente em guerra civil ou ainda está. Quando não se tem esperança de um futuro melhor, a violência pode parecer um caminho interessante e mesmo uma oportunidade de negócio e poder. E o Brasil não está longe disso!
>>> clique aqui e leia a matéria.
fonte: A Tarde
imagens: reprodução

0 comentários:
Postar um comentário